Collision 2020 ‘from home’​, como foi a primeira a edição online da conferência

Semana passada, entre 23 e 25 de junho, aconteceu a Collision, conferência de tecnologia mais cool do planeta, de acordo com a BuzzFeed.

Mais de 32.000 pessoas, participantes, palestrantes, startups, parceiros, investidores, moderadores e mídia, de 140 países acompanharam o evento pela primeira vez que foi realizado no modo “from home” (de casa). Entre os principais países que atenderam o evento o Brasil liderou a lista, seguido por: Canada, República Checa, Alemanha, India, Itália, Portugal, Cinapura, Inglaterra e Estados Unidos.

O grande palco e pavilhão com stands foram trocados pelo site e um aplicativo onde era possível ver a programação e se conectar com todos que estavam atendendo a conferência.

   As mulheres representaram 45,2% dos participantes no evento que contou com grandes palestrantes de empresas como: Twitter, Telecine, Spotify, Slack, Microsoft, IBM, Samsung, The New Yorker, The Washington Post, Novartis, DBRAND, Ambev, Cubo Itaú, Globoplay, Unicef, Linkedin, PUC-Rio, Rio2C, SAP entre outros.

634 palestrantes representando todas as indústrias que estão sendo transformadas e impactadas pela tecnologia, se dividiram entre 5 canais disponíveis no site (Channel, 1, 2, 3, Radio, Workshops). No site ainda havia Classic Talks (com palestras passadas realizadas na WebSummit e na Collision), Breakout ( salas de conferências para a mídia entrevistar um determinado palestrante). Mas, a ferramenta que mais chamou atenção e conquistou todos foi o “Mingle” onde o sistema da plataforma baseado no seu perfil e interesses conectava você à outro palestrante que tivesse um perfil que poderia lhe interessar para conversar durante 3 minutos por video. Ao final, você era perguntado se aquela conversa tinha sido boa ou não, e se gostaria de continuar conhecendo outros atendentes. Achei incrível! Foi a melhor experiência em termos de proximidade com pessoas que estavam também assistindo a conferência. O interessante é que pessoalmente nós escolhemos com quem queremos conversar e se aproximar para trocar idéias, fazer contato. Pela plataforma, essa escolha era totalmente ao acaso deixando o universo totalmente encarregado de quem seria a próxima pessoa com quem iria conversar. Conversei com pessoas que estavam em Boston, San Francisco, Canadá, Republica Checa, Uruguay, Australia. Foi muito bacana, pena que o tempo era bem curto. Por coincidência, encontrei uma moça brasileira que está morando no Uruguay que apesar de não conhecê-la pessoalmente, já havia trocado algumas mensagens com ela pois fazemos parte do mesmo grupo de mulheres de tecnologia no Whatsapp. Outra coincidência foi encontrar um amigo da minha irmã de São Francisco com quem temos amigos em comum em Londres.

Tendências

Entre as tendências no mercado, notou-se uma presença crescente de startups em comércio eletrônico, entretenimento, tecnologia médica, mídias sociais e redes, e uma diminuição em bens de consumo, estilo de vida e moda, esportes e fitness e empresas de viagens e hospitalidade.

O comércio eletrônico sofreu um salto nas soluções de remessa, soluções imobiliárias virtuais, soluções para reforma de residências e compras on-line. As empresas de entretenimento que oferecem locais de trabalho em nuvem para criativos, mecanismos de descoberta de filmes e artes e plataformas de jogos online também estão ganhando popularidade.

O maior salto percebido foi nas empresas de tecnologia médica que prestam serviços de telemedicina para práticas, serviços de telesaúde, plataformas de reservas on-line, software médico de realidade virtual, atendimento virtual, serviços de consulta por vídeo e plataformas digitais de saúde para tomar medicamentos, conectando pessoas a profissionais de saúde e comunicação com farmácias.

Palestras

O assassinato de George Floyd trouxe à tona diversas palestras, abordando o racismo, com: o jogador de basquete Shaquille O’Neal, o CEO da Sidewalk Labs Dan Doctoroff, ex-jogador de futebol americano na NFL, Terrell Owens, neto de Nelson Mandela Siyabulela Mandela.

Harris Diamondchairman da McCann Worldgroup têm sentido seus funcionários muito engajados, produtivos; com isso, acredita que as viagens serão menos necessárias. CEOs e diretores de grandes corporações estão tendo melhor acesso à sua equipe e melhor qualidade de vida, porque já não perdem tanto tempo voando de uma cidade/país para outro.

Segundo ele, pós-Covid será importante manter um equilíbrio entre trabalhar em casa e trabalhar fora de casa. Por mais que o trabalho remoto tenha trazido para alguns maior produtividade, conforto e qualidade de vida e redução de custos para as empresas; ainda é necessário contato físico. Harris acredita que alguns departamentos como RH, financeiro, jurídico poderão continuar sendo operados home office mas que os criativos (designers, diretores de arte e criação) deverão ter um espaço para se encontrar, trocar idéias, fazer brainstorming. Segundo ele, é importante esse contato para a criação.

Uma sensação na Collision foram os fundadores Josh Sadowski e Hope Schwing do Tik Tok, aplicativo que nos últimos meses tem crescido e chamado atenção nas redes sociais. Hope é apaixonada por criar videos e disse que sua intenção sempre foi de fazer as pessoas rirem.

Gillian TasChairperson da booking.com, disse que houve um aumento de 45% para 70% em viagens domésticas e locais. Ela acredita que enquanto não houver uma vacina os turistas não se sentirão muito confortáveis em viajar.

Para Kate Brandt, Diretora de Sustentabilidade da Google, a Covid-19 foi um “wakeup call” quanto a importância do meio-ambiente. Kate acredita que a recuperação global do Covid-19 precisa priorizar questões ambientais, e afirmou que vários estudos de economistas líderes mundiais mostram isso. “As pessoas estão morrendo mais frequentemente de Covid em locais com pior qualidade do ar.” Para ela, isso é um alerta real sobre a conexão íntima entre saúde humana e qualidade ambiental.

Kate falou ainda dos esforços do Google para reduzir as emissões climáticas com o Environmental Insights Explorer – uma ferramenta disponível em 100 cidades em todo o mundo, que rastreia dados sobre emissões de construção e transporte, além da qualidade do ar. Brandt disse esperar que o Google possa continuar esse trabalho nas cidades durante a recuperação do Covid-19.

Emily Oberman, Sócia da Pentagram, maior consultoria independente de design do mundo, apresentou dois cases interessantes de rebranding, o primeiro com a Warner Bros levou dois anos, o segundo para as Nações Unidas que levou apenas dois dias. Ela mostrou como que em ambos projetos a identidade da marca pode mostrar uma idéia que todos acreditam, e se tornar um emblema adotado por todos.

A fim de promover oportunidades de negócios equitativas para os empreendedores negros, a boa notícia é que o Shopify se juntou à DMZ na Ryerson University como parceiro fundador da Black Innovation Fellowship (BIF), uma iniciativa inédita no Canadá, anunciada na Collision 2019. Com o apoio do Shopify e de outros doadores ao programa, os fundadores selecionados terão acesso a mentores seniores de alto calibre; oficinas exclusivas projetadas para refletir a experiência dos empresários negros; um espaço de trabalho dedicado no coração do centro de Toronto; e a chance de trabalhar com investidores influentes, especialistas e muito mais.

Nithya Thadani, CEO da Rain, ofereceu uma visão aprofundada de como o futuro da voz está sendo moldado hoje e como as marcas podem projetar a voz pensando nas gerações futuras. Segundo ela, a tecnologia de voz agora está firmemente incorporada em nossas vidas, transformando nossas casas, automóveis e até o local de trabalho. Nosso relacionamento com os assistentes de voz em breve evoluirá do comando para o emocionalmente inteligente e antecipatório. As marcas precisam entender como a voz está influenciando nossos comportamentos cotidianos, mudando nossos relacionamentos com outras tecnologias e reformulando o campo de atuação para o marketing e o comércio da marca. Assistentes de voz como Alexa, poderão atuar como assistente financeiro e outros. As pessoas irão confiar nas sugestões dadas uma vez que o assistente de voz conhecerá seus hábitos e preferências mais do que a própria pessoa. Hoje, temos que perguntar, no futuro não precisaremos fazer perguntas, o próprio assistente irá tomar decisões porque terá nossa permissão para o mesmo. Hoje, Erika, a assistente de voz do Bank of America possui 10 milhões de usuários e recebe 100 milhões de solicitações.

Startups – maior diversidade geográfica

Esse ano, 1.008 startups do mundo todo participaram da Collision.

Um fato interessante foi que o evento online propiciou a participação de startups de países que geralmente não estariam representados no evento físico. Entre eles: Albânia, Bulgária, Mongólia, Irã, Cazaquistão, Kuwait, Armênia, Paquistão, Filipinas, Tunísia, Gana, Egito, Equador, Panamá, Peru, Uruguai e Dominica.

Nos Estados Unidos e Canadá, houve participação de startups mais regionais:

-EUA: Chapel Hill, Raleigh e Charlotte na Carolina do Norte, Omaha e Lincoln no Nebraska, Little Rock no Arkansas, Springfield na Virgínia, Akron em Ohio, Milwaukee em Wisconsin, Alpharetta na Geórgia, Buffalo no norte de Nova York e Farmington Hills em Michigan .

  • Canadá: Halifax na Nova Escócia, Fort McMurray em Alberta e Winnipeg em Manitoba.

As startups representaram 25 indústrias, as 10 prinicipais foram:
Publicidade, conteúdo e marketing
IA e aprendizado de máquina
Comércio eletrônico e varejo
Educação
Soluções de software corporativo
Meio ambiente, energia e tecnologia limpa
Fintech
Hardware e IoT
Medtech e pharma
Mídias sociais e redes

Investidores

Com quase 40 unicórnios presentes na Collision from Home, os investidores estiveram bem próximos, 850 anjos e VCs* se reuniram com startups e participaram de oficinas, palestras e mesas-redondas. Entre eles: Vinod Khosla da Khosla Ventures, Chetan Puttagunta da Benchmark, Renata Quintini da Renegade Partners, Scott Raney da Redpoint e Wesley Chan da Felicis Ventures. * venture capitalist (capitalista de risco)

Hoje há um maior número de VCs investindo juntos na mesma startup, antes da pandemia, geralmente eram apenas um ou dois, agora são três a quatro. Outra mudança trazida pelo Covid-19 é o fato de que como grande maioria das pessoas hoje está trabalhando remotamente, há mais equilíbrio e igualdade na experiência. As startups, independente de sua localização geográfica, hoje se encontram em “pé de igualdade” frente aos investidores. Ou seja, uma startup localizada em Santa Rita do Sapucaí ou Albânia tem a mesma oportunidade de acesso junto à um investidor que uma startup em Nova York ou São Francisco. O conselho geral dos investidores às startups que foram investidas antes da pandemia é para que elas cortem custos, mantenham o capital do investimento o mais longo possível, sejam conservadoras e tenham uma grande visão.

Até agora, a Antler, maior construtora de empresas de tecnologia do mundo e uma empresa global de capital de risco em estágio inicial, investiu em 58 startups em sete países. As empresas financiadas representam mais de vinte setores, variando de fintech e tecnologia profunda a entrega de alimentos e jogos. 43% dessas empresas têm pelo menos uma co-fundadora.

Mídia

Mais de 1.143 jornalistas juntamente com o Yuppy cobriram o evento. Editores da New Yorker, Reuters, Vox, Fast Company, Wired, Glamour, ProPublica, Financial Times, Channel 4 News e The Information discutiram como proteger a sociedade através do jornalismo.

Conclusão

Muito contéudo, diversidade de indústrias impactadas pela tecnologia, de palestrantes e participantes, a Collision from Home, provou que um evento de grande porte pode sim ser realizado online. Embora o evento presencial ainda se supere como experiência para o participante. (Você pode ter uma idéia do evento neste video aqui: https://www.youtube.com/watch?v=5wGUERlqPY0&feature=youtu.be )

Alguns beneficios:

  • Menos cansativo pois fisicamente você não precisa caminhar 10 kms por dia como ocorre na Websummit em Lisboa
  • Mais econômico (você não faz gastos com passagem, hotel e alimentação)
  • Maior diversidade de participantes de cidades pequenas e países que até então não haviam atendido a Collision, este ano participaram

Contras:

  • A experiência ao vivo e o contato físico com os demais participantes é sem dúvida inegualável, faz parte do viver, criam-se lembranças, recordações que conectam o participante ao evento e à diversas marcas que ali estão.
  • Perde-sea oportunidade de viajar e experienciar uma outra cultura, que também nos enriquece como ser humano.
  • As fotos também fazem falta, os registros que geralmente grande maioria de nós fazemos nos eventos fisicos. Este ano, não houve nada de selfies, fotos em grupo e credenciais para postar nas redes sociais. Com isso, o evento perdeu a mídia orgânica e espontânea que é gerada nas redes sociais com os posts publicados pelos participantes.

Acredito que o ideal seria uma combinação de ambos, somar o evento presencial com uma versão simultânea online. Assim, com certeza agradará a todos, aqueles que querem viver a experiência e aqueles que não dispõe de tempo ou de capital para fazer uma viagem até o Canadá. Fica aqui nossa sugestão :).

Quem tiver planos de ir ano que vem, aproveite a promoção e compre dois ingressos por um no link: https://collisionconf.com/2for1

De uma forma ou de outra, que venha a Collision 2021 com muitas novidades!

Daniella Meirelles / Editora Yuppy

FavoriteLoadingMarcar como Favorito
Compartilhe nas redes!Share on Facebook
Facebook
Share on Google+
Google+
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin

Seja bem-vindo!

UA-77258271-1
pt_BRPortuguese
pt_BRPortuguese
%d blogueiros gostam disto: